O bairro a sul da Cidade Velha
Kazimierz: o bairro judeu de Cracóvia em resumo
Uma breve história documentada de Kazimierz, desde a sua fundação em 1335 até ao gueto em Podgórze, com notas sobre como visitar as suas sinagogas e memoriais com respeito.
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Kazimierz foi fundado em 1335, quando o rei Casimiro III da Polónia declarou dois subúrbios ocidentais de Cracóvia como uma nova cidade com o seu nome. Durante séculos foi uma cidade real independente, a sul da Cidade Velha e separada desta por um braço do Vístula. O leito do rio foi aterrado no final do século XIX. Kazimierz faz agora parte de Cracóvia, e a sua parte nordeste era historicamente judaica. Durante muitos séculos, as culturas polaca e judaica coexistiram e misturaram-se ali.
Como se formou o bairro judeu
Os judeus desempenhavam um papel na economia de Cracóvia desde o final do século XIII. Após um incêndio desastroso em 1494, o rei polaco João I Alberto ordenou a expulsão dos judeus da Cidade Velha em 1495 e permitiu que se instalassem no distrito de Bawół, em Kazimierz. A área murada conhecida como Oppidum Judaeorum, a Cidade Judaica, ocupava cerca de um quinto de Kazimierz, mas albergava quase metade dos seus habitantes.
As sinagogas
A Sinagoga Antiga, o edifício de sinagoga mais antigo ainda de pé na Polónia, foi construída no século XV. As fontes divergem entre 1407 e 1492, e foi reconstruída em 1570. Desde 1958 é um museu. A Sinagoga Remuh foi concluída em 1557 e recebeu o nome em honra do rabino Moses Isserles, cujo acrónimo hebraico é Rema. Fica ao lado de um antigo cemitério judaico e continua a ser uma sinagoga em funcionamento.
As outras sinagogas
O mapa da Wikipédia da parte judaica de Kazimierz lista várias outras sinagogas: a Sinagoga Antiga, a Remuh, a Sinagoga Alta, a Sinagoga Izaak, a Sinagoga Kupa e a Sinagoga Tempel, que ainda está ativa. Várias delas situam-se na Rua Szeroka ou perto dela, onde a Sinagoga Antiga e a Remuh dão para a mesma rua, o que a torna um percurso a pé natural. Cada edifício tem os seus próprios horários de abertura e regras de visita, por isso verifique-os um a um.
Antes da guerra
Kazimierz perdeu o estatuto de cidade autónoma após a Terceira Partição da Polónia, em 1795, e tornou-se um bairro de Cracóvia. Muitas famílias judaicas mais abastadas mudaram-se das ruas apinhadas, mas, devido à proibição de viajar ao sábado, a maioria permaneceu perto das antigas sinagogas. Nos anos 30, Cracóvia tinha 120 sinagogas e casas de oração registadas em toda a cidade. O United States Holocaust Memorial Museum regista que cerca de 56 000 judeus viviam em Cracóvia na véspera da guerra, quase um quarto da população da cidade, de cerca de 250 000 habitantes.
O gueto e o Holocausto
No início de março de 1941, os alemães ordenaram a criação de um gueto em Podgórze, um subúrbio do outro lado do rio, e não em Kazimierz. A 21 de março, os judeus que restavam em Cracóvia e milhares vindos de outras cidades foram encerrados ali, entre 15 000 e 20 000 pessoas. Em 1942, as deportações enviaram milhares para o centro de extermínio de Belzec. A 13 e 14 de março de 1943, as SS liquidaram o gueto. A maioria dos judeus de Cracóvia foi assassinada.
Depois de 1945
Kazimierz ficou em grande parte em ruínas e depois ao abandono. A 11 de agosto de 1945, rebentou no bairro violência antijudaica, o pogrom de Cracóvia, no qual uma sinagoga foi incendiada e muitos judeus foram agredidos. As autoridades comunistas deixaram o quarteirão a desmoronar-se. Em 1988, o primeiro Festival de Cultura Judaica começou a atrair de novo os cracovienses e, depois de 1993, quando ali se filmou grande parte de A Lista de Schindler, o restauro e o turismo cresceram.
Onde saber mais
Três lugares contam a história na voz de museus e memoriais. A Antiga Sinagoga, em Szeroka 24, apresenta a história e a cultura dos judeus de Cracóvia. O Museu Judaico da Galiza, em Dajwór 18, tem uma exposição permanente chamada Traces of Memory. A Praça dos Heróis do Gueto, em Podgórze, outrora chamada Plac Zgody, assinala o gueto com um memorial de cadeiras vazias. Consulte a página própria de cada lugar para horários e regras de entrada.
Visitar com cuidado
Kazimierz é simultaneamente um bairro vivo e um lugar de memória. Lembre-se de que as paredes do pátio do Remuh têm inscrições para os judeus de Cracóvia assassinados no Holocausto, que o Remuh é uma sinagoga em funcionamento e que o cemitério ao lado é um local de sepultura. Siga as regras afixadas em cada local, vista-se com respeito e modere a fotografia e o ruído. Um concerto de klezmer na Cidade Velha combina bem com um dia aqui, mas um não substitui o outro.
Fontes